sábado, 12 de novembro de 2011

A vida como uma onda do mar


Tirarmos uma analogia da natureza e trazermos à luz da nossa realidade é coisa antiga, o paganismo na ânsia de entender fenômenos da natureza cultuava imagens e endeusavam elementos naturais como o sol e a lua.
Para entendermos determinadas passagens de nossas vidas sem ter que recorrermos a termos de difícil compreensão podemos utilizar-se de metáforas.  Metáforas por ser uma ferramenta de fácil entendimento imediato normalmente escondem profundos ensinamentos, como é o caso das parábolas de Jesus ou os ensinamentos de Buda ou lendas árabes ou chinesas, são e foram muito utilizadas para explicar talvez o mais complexo de todos: o significado da vida.
Recorrendo a uma delas, existe uma lenda chinesa de uma onda que se achava muito pequena, feia e tinha medo de quando ou como iria morrer, se ao chegar numa praia ou bruscamente num rochedo.  Outra onda vendo a aflição da amiga aconselhou: “Você não precisa se preocupar com tudo isso, pois bem antes de ser uma simples onda você é uma parte muito maior denominado de oceano”.
Ondas se formam apenas pela ação dos ventos, percorrem um determinado trecho e somem.  Nossas vidas são bem parecidas com isso, nascemos pela ação dos nossos pais, vivemos com a única certeza de que morreremos. Deixamos de existir como humanos e transformamos em algo que ninguém  foi capaz de definir exatamente, por isso a metáfora da onda nos serve (e muito bem) aqui.
Sofremos ao pensar como a ondinha acima, egoísta, vaidosa, enfim com pensamento voltado somente para si, mas se ampliarmos um pouco a nossa mente percebermos, como as ondas do mar, que somos apenas uma parte ínfima do universo a que pertencemos, ou seja, não somos onda, somos o mar, o oceano, a natureza, se compreendermos isso deixamos de sofrer, nos iluminamos, atingimos o Nirvana.
Em última análise, ondas não existem.  O que existe de fato é a dinamização das águas pela ação física externa que formam turbulências temporárias na superfície. As nossas vidas não são diferentes disso.  A nossa existência física e temporária é tão somente uma dinamização da natureza sobre a terra. Somos parte da natureza, criada e extinta por ela mesma.
O ser humano só compreende verdadeiramente o significado de nossa existência através da compreensão primeira da morte, é um caminho inverso, assim que a ondinha compreende que ela não era o que era e sim parte do oceano, toda vaidade, egoísmo e medo se esvai dela, pois o oceano a concebeu e vai retornar ao oceano como num processo natural.  Todos os dias, assim como seres vivos, milhares de ondas nascem e morrem, algumas de forma serena na praia, outras abruptamente ao chocar em uma rocha imóvel, sem que isso em nada altere a ordem natural das coisas.  Nascer, viver e morrer deve ser encarado como o ciclo natural de um processo da qual fazemos parte integrante de um todo, de uma grandiosa universalidade cujo nome acreditamos ser Deus.
A natureza através do calor do sol estimula o vento que cria ondas no mar. Deus cria do pó o homem a sua imagem e a sua semelhança, sopra em seus narizes o sopro da vida, por fim essa criatura rompe o fio de prata deixando de existir e devolvendo ao seu criador o sopro vital, retornando  ao pó de onde veio, num processo natural e cíclico como as ondas do mar.

Um comentário:

  1. Estávamos precisando de um blog dedicado a esse assunto.

    Parabéns pessoal que criou!!!

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