segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Os Degraus do Conhecimento

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A Questão Religiosa


Outro tópico abordado no trabalho do irmão Ossamu Yamashita é a chamada QUESTÃO RELIGIOSA.
A Questão Religiosa foi um conflito gerado entre a Igreja Católica da época e a Maçonaria, envolvendo o Estado Monárquico do Imperador D. Pedro II.
Esse conflito durou de 1872 até meados de 1875 e por incrível que pareça, foi o Império que mais saiu perdendo nessa questão, pois gerou um enorme desgaste político criando um ambiente propício para movimentos como a da proclamação da república.
A Constituição da época ordenava que a religião oficial do país era Católica, ou seja, o Estado não era laico como hoje, a Igreja tinha um poder muito grande, porém conforme acordado, o Estado mantinha toda despesa sacerdotal o que na prática obrigava que as bulas papais (ordens direta do Papa)  passarem pelo crivo do Estado, antes de serem obedecidas, era o chamado Padroado.
Devido aos conflitos gerados na Europa pelos ideais Iluministas, evidentemente a Igreja não via com bons olhos a Maçonaria, mas que no Brasil ainda não havia esse enfrentamento direto, o convívio entre eles era pacífico.
O estopim foi deflagrado quando um Padre e também Orador de uma Loja Maçônica, fez um discurso elogiando a Lei do Ventre Livre e conseqüentemente a maçonaria.
Houve várias manifestações e D Pedro II posiciona-se ao lado da maçonaria e dois bispos, fervorosos anti-maçons, de Olinda e Belém, foram condenados a 4 anos de trabalhos forçados.
O Imperador, após algum tempo - por pressão da Igreja - , destitui o então ministro Visconde de Rio Branco (Grão Mestre) e coloca em seu lugar o Duque de Caxias que acaba anistiando os Bispos.
O povo percebe um Império sem força política, um ingrediente a mais para a queda do Império e a instalação da República.
Este assunto é tão relevante para a maçonaria que o nosso mestre José Castellani até editou um livro, cuja capa fora mostrada na tela do trabalho do nosso irmão.

TFA


sábado, 12 de novembro de 2011

Potências Maçônicas


Potências Maçônicas ou Obediências, como são chamadas, são aglutinações de Lojas geralmente subdividos por Estados.
Comecemos pela nossa:
A COMAB – Confederação Maçônica do Brasil -, cujo GOP –Grande Oriente Paulista é um dos confederados, nasceu da união de 10 Grandes Orientes Estaduais que, em 1973, se desfiliaram do GOB e começaram a trabalhar de forma independente em seus Estados.  Tudo se deveu a uma eleição de Grão-Mestre do GOB que foi impugnada. Hoje, a COMAB possui 19 Grandes Orientes Independentes filiados.
Os Grandes Orientes da COMAB possuem grande dificuldade de firmar tratados de reconhecimento com Obediências do Exterior, visto serem mais recentes do que as Grandes Lojas e GOB.
Uma característica forte da COMAB é o uso de aventais com borda vermelha no REAA, enquanto nas GLs e GOB adota-se azul. Porém, nessa questão,  a COMAB está correta. O uso do azul deveu-se por influência da Inglaterra e EUA.
Passemos para a maior no Brasil:
A CMSB – Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil – é a confederação que reúne as 27 Grandes Lojas Estaduais do Brasil. Juntas, elas somam mais de 3.500 Lojas e mais de 80.000 maçons, sendo a maior organização da maçonaria simbólica brasileira.
As Grandes Lojas foram fundadas por Mário Behring, quando o mesmo era Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33 do REAA.  A partir de 1927, por necessidade de tornar a Maçonaria Brasileira regular perante a comunidade maçônica internacional, que exigia a independência entre a Maçonaria Simbólica e os Graus Superiores, enquanto que o GOB mantinha o Supremo Conselho do REAA subordinado a si, e o Grão-Mestre acumulava o cargo de Soberano Grande Comendador.
Historicamente, as Grandes Lojas brasileiras costumam reconhecer apenas 03 Ritos: York, REAA e Schroder.
E finalmente a mais antiga do Brasil:
Diferentemente da CMSB e da COMAB, que são confederações, o GOB – Grande Oriente do Brasil - é uma federação. Isso significa que os Grandes Orientes Estaduais estão estritamente subordinados ao Poder Central.
O GOB é a obediência maçônica mais antiga do Brasil e possui 26 Grandes Orientes Estaduais, não possuindo apenas no Estado do Amapá. Possui quase 2.500 Lojas e mais de 60.000 membros, perdendo em número de Lojas e membros apenas para a CMSB.
Possui reconhecimento da GLUI – Grandes Lojas Unidas da Inglaterra - , com a qual mantém forte relação.
Já a COMAB e a CMSB, por serem confederações, cada confederada é responsável pelos seus tratados de reconhecimento. Nenhuma confederada da COMAB possui reconhecimento da GLUI. Já na CMSB, atualmente as Grandes Lojas de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul possuem tal reconhecimento.
O tratado com a GLUI é considerado relevante, visto a GLUI ser a 1ª Obediência Maçônica fundada na história, se considerando "Mãe" das demais regulares.
Mas vamos chegar lá.

Areópago de Itambé


Em recente trabalho apresentado pelo irmão Ossamu Yamashita em comemoração a Proclamação da República, dois tópicos nos chamaram atenção.
O primeiro bateu um pouco quadrado em nossos ouvidos: AREÓPAGO DE ITAMBÉ.  Estava  na tela com o título de movimentos que antecederam a Proclamação da República.
Se foi um movimento, de que maneira entra a maçonaria? Pois no trabalho, evidentemente não haveria tempo hábil para explanação de um único tópico.
Comecemos pela etimologia:  O que é afinal Areópago?  De acordo com alguns dicionários, tem a seguinte definição:  Reunião de sábios, de letrados, políticos etc.: areópago literário. Tribunal supremo de Atenas, composto de 31 membros, antigos arcontes, e encarregado do julgamento das questões criminais mais graves. Alcançou reputação de equidade e sabedoria e, por isso, areópago passou a significar, figuradamente, assembléia ou corte de justiça augusta, imparcial e soberana.
E Itambé?  Itambé que em tupi significa “Pedra de Fogo”, foi uma localidade no estado de Pernambuco nas divisas da Paraíba.
Ou seja, parecia um local de reuniões de pessoas de grande saber.
A história começa em Pernambuco, pelos idos de 1792/93, com um carmelita conhecido por frei Manoel do Coração de Jesus, morador no povoado de Goiana, próximo à Itambé, que viaja para Europa para estudar ciências naturais. Lá ele é iniciado e mantém uma assídua convivência com outros irmãos que sonhavam e almejavam participar da construção de uma humanidade livre e progressiva. Impregnado por essas idéias, retorna ao Brasil e funda, no povoado de Itambé, um clube com a finalidade de reunir e recrutar cuidadosamente todos que almejavam uma pátria livre para os brasileiros, isto em 1796.
Teve as portas cerradas em 1801, mas a sua doutrinação continuou viva e conforme o trabalho do irmão Ossamu, deflagrou na Proclamação.
Concluindo então, podemos afirmar que o Aerópago de Itambé foi um clube de homens fomentados pelos ideais iluministas e conseqüentemente grande promotor e fonte de inspiração para a proclamação da nossa República de hoje.
Alguns historiadores maçônicos afirmam que o Areópago de Itambé foi secretamente a primeira Loja Maçônica a ser instalada no Brasil, tirando a primazia do Estado de Rio de Janeiro.
Bom não eram dois tópicos?  Então, o outro tópico que nos chamou atenção fica para o próximo Post.
Até lá.

A vida como uma onda do mar


Tirarmos uma analogia da natureza e trazermos à luz da nossa realidade é coisa antiga, o paganismo na ânsia de entender fenômenos da natureza cultuava imagens e endeusavam elementos naturais como o sol e a lua.
Para entendermos determinadas passagens de nossas vidas sem ter que recorrermos a termos de difícil compreensão podemos utilizar-se de metáforas.  Metáforas por ser uma ferramenta de fácil entendimento imediato normalmente escondem profundos ensinamentos, como é o caso das parábolas de Jesus ou os ensinamentos de Buda ou lendas árabes ou chinesas, são e foram muito utilizadas para explicar talvez o mais complexo de todos: o significado da vida.
Recorrendo a uma delas, existe uma lenda chinesa de uma onda que se achava muito pequena, feia e tinha medo de quando ou como iria morrer, se ao chegar numa praia ou bruscamente num rochedo.  Outra onda vendo a aflição da amiga aconselhou: “Você não precisa se preocupar com tudo isso, pois bem antes de ser uma simples onda você é uma parte muito maior denominado de oceano”.
Ondas se formam apenas pela ação dos ventos, percorrem um determinado trecho e somem.  Nossas vidas são bem parecidas com isso, nascemos pela ação dos nossos pais, vivemos com a única certeza de que morreremos. Deixamos de existir como humanos e transformamos em algo que ninguém  foi capaz de definir exatamente, por isso a metáfora da onda nos serve (e muito bem) aqui.
Sofremos ao pensar como a ondinha acima, egoísta, vaidosa, enfim com pensamento voltado somente para si, mas se ampliarmos um pouco a nossa mente percebermos, como as ondas do mar, que somos apenas uma parte ínfima do universo a que pertencemos, ou seja, não somos onda, somos o mar, o oceano, a natureza, se compreendermos isso deixamos de sofrer, nos iluminamos, atingimos o Nirvana.
Em última análise, ondas não existem.  O que existe de fato é a dinamização das águas pela ação física externa que formam turbulências temporárias na superfície. As nossas vidas não são diferentes disso.  A nossa existência física e temporária é tão somente uma dinamização da natureza sobre a terra. Somos parte da natureza, criada e extinta por ela mesma.
O ser humano só compreende verdadeiramente o significado de nossa existência através da compreensão primeira da morte, é um caminho inverso, assim que a ondinha compreende que ela não era o que era e sim parte do oceano, toda vaidade, egoísmo e medo se esvai dela, pois o oceano a concebeu e vai retornar ao oceano como num processo natural.  Todos os dias, assim como seres vivos, milhares de ondas nascem e morrem, algumas de forma serena na praia, outras abruptamente ao chocar em uma rocha imóvel, sem que isso em nada altere a ordem natural das coisas.  Nascer, viver e morrer deve ser encarado como o ciclo natural de um processo da qual fazemos parte integrante de um todo, de uma grandiosa universalidade cujo nome acreditamos ser Deus.
A natureza através do calor do sol estimula o vento que cria ondas no mar. Deus cria do pó o homem a sua imagem e a sua semelhança, sopra em seus narizes o sopro da vida, por fim essa criatura rompe o fio de prata deixando de existir e devolvendo ao seu criador o sopro vital, retornando  ao pó de onde veio, num processo natural e cíclico como as ondas do mar.